Now Reading
Centre de Congrès em Rabat: onde a arquitetura se transforma em discurso

Centre de Congrès em Rabat: onde a arquitetura se transforma em discurso

centre de congrès

Há edifícios projetados simplesmente para cumprir uma função. E há aqueles que vão além, mostrando até onde a arquitetura é capaz de chegar. O Centre de Congrès da Université Mohammed VI Polytechnique, em Rabat, concluído em 2024 pelo Bofill Taller de Arquitectura, pertence definitivamente ao segundo grupo — e faz isso com uma elegância discreta e segura.

Desde o primeiro momento em que você se aproxima, algo fica claro: este não é um edifício que se contenta apenas em ser funcional. Suas ambições vão além. Ele busca transformar a forma como você vivencia o campus, como se sente ao compartilhar um espaço e até mesmo a percepção do que uma instituição pode oferecer às pessoas por meio da qualidade de sua arquitetura.

Foto: Bofill Taller de Arquitectura

Um edifício que tem algo a dizer

A Université Mohammed VI Polytechnique é uma instituição relativamente jovem e, com essa juventude, vem também a urgência de construir uma identidade. O campus de Rabat é sua segunda unidade, e seus idealizadores entenderam algo que nem todas as instituições conseguem perceber: a arquitetura não é apenas decoração. Ela também é uma forma de expressar uma ideia.

O projeto do Centre de Congrès nasceu com uma proposta ampla: criar um edifício capaz de receber desde palestras acadêmicas e conferências do setor até apresentações abertas ao público. Mas havia uma segunda exigência que levou o projeto a outro patamar — justamente o tipo de preocupação que costuma marcar os melhores projetos arquitetônicos. O edifício deveria contribuir para a identidade do campus e, por consequência, para a qualidade de vida das pessoas que circulam por ele.

O Bofill levou esse desafio a sério. O escritório entendeu que um centro de congressos poderia ser apenas uma estrutura destinada a receber eventos ou, em vez disso, tornar-se um espaço capaz de transformar a experiência desses encontros antes mesmo de alguém entrar em uma das salas.

Foto: Bofill Taller de Arquitectura

A geometria do projeto

A planta do Centre de Congrès é construída a partir de duas formas essenciais: o círculo e o quadrado. O conceito pode parecer simples aos olhos, mas sua execução é consideravelmente mais complexa. O círculo aparece como uma ampla parede independente que envolve o auditório principal, que, por sua vez, tem formato quadrado. É entre essas duas geometrias puras que o edifício ganha vida: auditórios menores, salas de reunião, bares, cafés, áreas de circulação e serviços ocupam os espaços intermediários, criando uma riqueza que a aparência limpa do exterior não deixa transparecer.

A genialidade está na maneira como os arcos foram concebidos. Grandes aberturas recortam a parede circular, que toca o chão apenas nos cantos do edifício e permanece aberta em todo o restante. Ao caminhar em sua direção, a construção não se impõe: ela convida. Quanto mais você se aproxima, mais percebe que essa abertura é intencional. O edifício comunica uma ideia de acesso e acolhimento, sugerindo que um campus universitário deve ser aberto e integrado, em vez de fechado e fortificado.

Seus pátios se abrem para campos esportivos e áreas arborizadas, criando espaços para respirar, sentar ou simplesmente não fazer nada — exatamente o tipo de liberdade que um bom projeto de campus deve proporcionar.

Foto: Bofill Taller de Arquitectura

Os auditórios: espaços que capturam a atenção

Entrar em um dos auditórios do Centre de Congrès é sentir seu impacto de imediato. Fileiras de assentos em verde profundo descem em perfeita simetria em direção a um palco simples, sem adornos. Mas não é para lá que os olhos se voltam. Eles vão para cima.

Suspensa sobre todo o espaço está uma enorme instalação de luz elíptica, luminosa e quase surreal, que envolve o ambiente em uma iluminação branca, fria e difusa, projetando sombras dramáticas sobre tudo o que está abaixo. Mais do que uma simples luminária, ela se impõe como uma presença dentro do espaço.

Foto: Bofill Taller de Arquitectura

A penumbra nas extremidades da sala não está ali por acaso: ela faz parte da própria arquitetura e reforça a sensação de estar reunido sob algo grandioso e significativo. O tom esverdeado que envolve os assentos, as paredes e parece tomar conta até do ar confere ao espaço uma atmosfera quase cerimonial. É um ambiente que prende a atenção do público antes mesmo que alguém suba ao palco.

Design total

O que diferencia o Centre de Congrès de edifícios públicos mais convencionais é o que os próprios arquitetos definem como uma abordagem de “design total”. Cada escolha, desde a maneira como você se aproxima do edifício até a experiência de se sentar em seus auditórios, segue a mesma linguagem e faz parte de uma visão única. O design de interiores ficou a cargo de Graciana de Bernardi, enquanto o paisagismo foi desenvolvido por Vivian Rotie.

Os revestimentos que definem a identidade exterior do edifício se prolongam pelos ambientes internos. O verde que domina os auditórios reaparece nos pátios e nas áreas de circulação, criando uma unidade visual que conecta todo o projeto. Em nenhum momento o cuidado com os detalhes se perde ou o edifício se rende ao genérico. Manter esse nível de coerência ao longo de 11.500 metros quadrados está longe de ser uma tarefa simples. Aqui, no entanto, tudo parece acontecer com naturalidade.

Foto: Bofill Taller de Arquitectura

O veredito

O Centre de Congrès representa o que uma arquitetura institucional ambiciosa pode ser: um edifício que leva seus usuários a sério e entende que a comunidade universitária merece mais do que espaços simplesmente funcionais — merece beleza, amplitude e uma arquitetura pensada para proporcionar uma experiência.

Rabat sempre foi uma cidade marcada por uma arquitetura de elegância discreta. Como capital administrativa, seu planejamento urbano é cuidadoso e equilibrado, e a Université Mohammed VI Polytechnique acrescenta um novo capítulo a essa tradição. O Centre de Congrès, projetado pelo Bofill, não precisa chamar atenção de forma ostensiva. Ele simplesmente se abre, acolhe e convida a perceber que ser recebido por um edifício também pode ser, à sua maneira, uma forma de aprendizado.

Foto no cabeçalho: Bofill Taller de Arquitectura

We sometimes use affiliate links in our content. This won’t cost you anything but it helps us to offset the cost of our production. However, this does not impact our reviews and comparisons. We keep things fair and balanced, in order to help you make the best choice for you.

 

© 2025 THE CURATED ONE Lifestyle Magazine -  All Rights Reserved.

Scroll To Top
Consentimento de Cookies com Real Cookie Banner