Algumas marcas nascem com um moodboard. A Designers Remix nasceu de um estoque que ninguém sabia muito bem como aproveitar.
Duas décadas depois, esse instinto de transformar materiais excedentes em objetos de desejo continua sendo exatamente o que a marca faz de melhor.
Designers Remix: os opostos se atraem

Na Designers Remix, marca de Copenhague comandada pela diretora criativa Charlotte Eskildsen, os opostos se atraem de uma maneira muito particular: cortes masculinos suavizados por detalhes femininos, alfaiataria precisa em contraste com peças fluidas e desestruturadas. O smoking e o pretinho básico reaparecem coleção após coleção, não como referências de arquivo, mas como moldes a serem desmontados e reconstruídos.
É uma abordagem quase arquitetônica do vestir: as peças são drapeadas e cortadas tridimensionalmente, em vez de simplesmente desenhadas no papel. É também por isso que tendem a manter formas que parecem cuidadosamente pensadas, nunca acidentais.

A coleção percorre as categorias clássicas de uma marca consolidada: tops, peças de alfaiataria, vestidos, jaquetas e uma linha de tricôs que aposta no cashmere de trama fina, dentro de uma paleta tonal e contida. O que dá unidade a tudo isso não é uma única silhueta, mas uma assinatura facilmente reconhecível: linhas limpas, uma paleta levemente fria e estampas que funcionam mais como elementos de design do que como adornos da estação.

O ciclo continua
O nome não é mero ornamento. A Designers Remix construiu sua identidade a partir da transformação de estoques remanescentes em novas peças muito antes desse conceito virar moda. Hoje, essa lógica atravessa todo o negócio: um programa de devolução convida os clientes a retornar peças antigas, que podem ser reaproveitadas em produções futuras.
Com a linha Preloved, o ciclo continua e vai ainda mais longe: as peças são feitas à mão e redesenhadas a partir de roupas de segunda mão e vintage no estúdio da marca em Copenhague, produzidas em tiragens limitadas e vendidas exclusivamente pelos canais próprios da marca.

A marca também possui certificação B Corp, mantém uma cadeia de fornecimento transparente e declara o compromisso de compensar suas emissões de carbono — medidas que dão consistência ao que, de outra forma, poderia não passar de uma mera estratégia de marketing. O resultado é uma coleção que não deixa a sustentabilidade em segundo plano: ela está na base da concepção e produção de suas peças, desde o princípio.

Muito além da ocasião
A Designers Remix se destaca especialmente ao criar peças que transitam pelo universo das ocasiões especiais sem parecer figurino montado. Uma jaqueta de alfaiataria com a dose exata de dramaticidade para funcionar à noite. Um tricô que pode ser usado sob um blazer ou sozinho. Vestidos que retomam a clássica combinação entre smoking e pretinho básico, estruturados o suficiente para um jantar, mas descontraídos o bastante para não chamar atenção demais.
É um guarda-roupa que vai muito além de uma única ocasião, feito para aquela mulher que se veste para a própria vida. Exatamente o tipo de cliente com quem a marca dialoga: quem busca um closet moderno e descomplicado, sem abrir mão de escolhas mais responsáveis.

Designers Remix: vale a pena conhecer
Duas décadas depois, a Designers Remix alcançou algo que muitas marcas mais jovens seguem procurando: uma visão própria sobre os materiais, aliada a roupas feitas para serem realmente usadas. Pode não ser o nome mais barulhento da moda dinamarquesa, mas talvez seja aquele que demonstra mais clareza sobre a própria razão de existir.
Saiba mais em designersremix.com, e através do Instagram: @designersremix.
Foto no cabeçalho: Designers Remix