Há uma confiança especial em batizar um restaurante em homenagem ao mar e, de fato, cumprir essa promessa. A Cidade do México está longe do litoral, mas não faltam em Polanco endereços que reivindicam uma essência marítima. O Casamarena é um dos que realmente entregam essa experiência e, em seu primeiro ano, conquistou discretamente seu espaço entre os moradores locais que querem provar os sabores do Pacífico e do Golfo sem sair de Campos Elíseos.
Casamarena: uma casa entre dois mares

O Casamarena foi inaugurado em 2025 sob o comando do chef Israel Aretxiga, do Grupo Zeru — equipe também responsável pelo Zeru Lomas —, e sua proposta já está expressa no próprio nome. Una casa entre dos mares, ou “uma casa entre dois mares”, parte da ideia de que a culinária costeira mexicana não se resume a uma única tradição, mas reúne diferentes influências. Assim, uma cozinha na capital pode colocar no mesmo cardápio o frescor do Pacífico e a intensidade dos sabores do Golfo, sem que nenhum deles pareça apenas uma participação secundária.
Essa diferença é mais importante do que pode parecer. A gastronomia de Sinaloa é fresca, marcada pelos cítricos e por frutos do mar crus ou levemente curados. Já a cozinha do Golfo aposta em sabores mais intensos, com presença de adobos e preparos na brasa. A maioria dos restaurantes escolhe um desses caminhos. A essência do Casamarena está justamente em não precisar escolher.

O salão traduz essa dualidade por meio de um design discreto e cuidadosamente pensado: texturas que remetem ao litoral, luminárias de fibras trançadas e uma paleta de cores serena criam uma atmosfera que lembra mais uma elegante casa de praia do que um restaurante temático — e essa é justamente a intenção. Nada ali tenta convencer você de que está à beira-mar; o espaço simplesmente transmite a sensação de que sempre pertenceu a esse universo.
A gastronomia: os sabores do litoral mexicano na medida certa

O cardápio é construído a partir do que há de mais fresco, e isso fica evidente nos pratos. O callo de hacha, preparado ao estilo de Sinaloa, tornou-se uma das assinaturas da casa: fresco, com sabor marcante do mar e servido com a simplicidade necessária para que o próprio fruto do mar seja o protagonista, e não os acompanhamentos ao redor.
O huachinango a la talla, preparado na brasa e temperado com adobo, é daqueles pratos que dispensam qualquer excesso para impressionar. Já as crocantes tostadas de atún e o pescado zarandeado estão entre as escolhas mais recomendadas pelos clientes habituais — e não por acaso. Ceviches, aguachiles sinaloenses, ostras preparadas sobre brasas, além de uma seleção rotativa de arrozes e cortes, completam um menu que transita com segurança entre o casual e o sofisticado.
É uma proposta que funciona tão bem para um almoço sozinho no balcão quanto para uma mesa cheia, daquelas em que diferentes pratos chegam aos poucos para serem compartilhados.

As sobremesas também merecem destaque, especialmente a tarta vasca, que encerra a refeição com a dose certa de indulgência. A superfície levemente tostada contrasta com o interior cremoso, quase como um creme. É o tipo de detalhe que mostra que o cuidado da cozinha não termina no prato principal.
Um terraço feito para ficar sem pressa

O terraço do Casamarena é um daqueles segredos que, na verdade, todo mundo conhece: um pequeno trecho de Polanco transformado em uma espécie de refúgio à beira-mar, sombreado e tranquilo, perfeito para aqueles almoços de duas horas que começam como uma reunião de trabalho e terminam quase como um dia de férias.
Na área interna, o ambiente funciona igualmente bem para uma comemoração mais reservada ou para uma mesa de amigos colocando a conversa em dia entre drinques. A distância entre as mesas garante privacidade suficiente para que nenhuma conversa precise disputar espaço com a da mesa ao lado.
A capacidade é propositalmente limitada, por isso vale muito mais reservar com antecedência do que tentar conseguir uma mesa de última hora em um sábado à noite. O Casamarena foi pensado para ficar sem pressa, e não para acelerar a rotatividade das mesas. Isso aparece em tudo: do ritmo do serviço à maneira como a luz atravessa o terraço à medida que a tarde passa.
Uma experiência gastronômica que vale a viagem

Em uma cidade geograficamente distante do litoral, mas nunca limitada em suas ambições, o Casamarena mostra que os melhores frutos do mar da Cidade do México não precisam escolher entre uma costa ou outra. O restaurante faz parte de uma nova geração de endereços da capital mexicana que trata a gastronomia costeira do país não como uma novidade importada, mas como uma expressão culinária com identidade própria, sustentada por técnica e ingredientes à altura dessa proposta.
O que faz querer voltar não é apenas um prato específico, por mais marcantes que vários deles sejam, mas a sensação de estar diante de uma cozinha que sabe exatamente o que está fazendo e de um ambiente que permite aproveitar cada momento sem pressa. É raro encontrar um restaurante em que conceito, gastronomia e atmosfera caminhem tão bem na mesma direção — e no Casamarena, nenhum desses elementos parece ter sido deixado em segundo plano.
Saiba mais em casamarena.com e no Instagram, @casamarena.mx.
Foto no cabeçalho: Casamarena