A Xinú é uma casa da perfumaria mexicana que vende botânica, não uma fantasia olfativa. Fundada por dois obcecados por fragrâncias e um arquiteto, a marca tem o aroma das plantas do México e a presença de um objeto de design digno de coleção.
Criada na Cidade do México por Ignacio Cadena e Verónica Peña, ao lado do arquiteto e designer Héctor Esrawe, a Xinú leva no nome a palavra otomí para “nariz”. É uma definição tão enxuta e precisa quanto a própria marca e dá o tom de tudo o que vem a seguir.
A lacuna que faltava na perfumaria mexicana

A ideia nasceu na estrada. Peña e Cadena compartilhavam o fascínio pela botânica e pelos aromas e, enquanto viajavam pelo país em busca de fragrâncias, perceberam quantos perfumes consagrados utilizavam ingredientes nativos do México. Ainda assim, o próprio país não tinha uma tradição de perfumaria de luxo que celebrasse essa riqueza. A Xinú nasceu para ocupar essa lacuna.
As raízes da marca também remetem a um rigor incomum: os fundadores perceberam que não existia um catálogo dedicado à botânica aromática das Américas e deixaram que essa lacuna orientasse o conceito em cada etapa do design. A própria marca define seus perfumes como uma forma de documentar a vida vegetal do continente americano, em vez de simplesmente interpretá-la.
Duas trilhas que levam ao coração da Xinú

A melhor trilha para entrar no universo da Xinú começa por seus dois best-sellers. O Aguamadera (nº 1) combina agave, limão verde, pau de guaiaco e cedro. A fragrância explora o universo do mezcal com o frescor cítrico do limão nas notas de saída e um toque salino que remete à brisa do mar, equilibrados por madeiras mais cremosas. O resultado é fresco, luminoso e levemente defumado.
O Copála (nº 2) segue por outra direção. É uma imersão em resina de copal, com o caráter defumado do mesquite em contraste com a baunilha atalcada e uma nota vibrante de pimenta-rosa. Se o Aguamadera é um terraço ao meio-dia, o Copála é o ambiente depois que o incenso termina de queimar.
Há ainda Monstera, a fragrância que colocou a planta no radar dos apaixonados por perfumaria. Segundo a Xinú, foi a primeira fragrância a levar a monstera para a perfumaria. Já Ummo presta homenagem ao tabaco, uma das plantas mais simbólicas do continente.
Vão-se as fragrâncias, ficam os frascos

A embalagem conta metade da história. O frasco é feito em vidro soprado, com tampa artesanal de madeira certificada, enquanto obras originais e colagens feitas à mão aparecem na própria caixa. A intenção dos designers era criar um objeto que não terminasse junto com a fragrância, mas ganhasse uma nova função como vaso, incensário ou peça decorativa.
A mesma lógica se estende à linha de fragrâncias para a casa. As velas vêm em “recipientes de fogo” reutilizáveis, moldados por artesãos no México e em El Salvador. O próprio site dedica uma página inteira à reutilização, e a marca resume essa proposta como um “estilo de vida impregnado de aromas”.
Lojas envoltas em fragrância

As boutiques da Xinú foram pensadas como uma extensão das fragrâncias, e não apenas como lugares onde elas são vendidas. Os interiores levam a assinatura do estúdio de design de Héctor Esrawe, cofundador da marca, com a ideia de que o espaço expresse o aroma tanto quanto os próprios frascos.
Perfumes dividem o ambiente com velas, incensos, fragrâncias para ambientes, óleos perfumados, produtos de cuidados corporais, além de peças que acompanham o ritual das fragrâncias. Assim, cada loja funciona como um pequeno universo, e não como uma simples prateleira de produtos. É possível conhecer toda a coleção ou começar pelo discovery set, para explorar várias fragrâncias de uma só vez.
Ao entrar, a proposta da Xinú já se revela no espaço, antes mesmo que a primeira fragrância seja sentida.
A assinatura da Xinú

A assinatura da Xinú está na forma como eleva as plantas do México à condição de patrimônio digno de ser documentado, em vez de reduzi-las a mais uma nota numa fragrância. Tudo partiu de uma constatação simples: alguns dos perfumes mais celebrados do mundo utilizam ingredientes nativos do México, enquanto o próprio país não tinha uma tradição de perfumaria de luxo dedicada a celebrar essa riqueza.
Em vez de seguir um modelo europeu, os fundadores criaram uma linguagem própria, com o design presente desde o primeiro momento. É por isso que as fragrâncias, os frascos de vidro soprado com acabamento manual e tampas de madeira, os recipientes reutilizáveis das velas produzidos por artesãos no México e em El Salvador e as boutiques que traduzem o aroma para o espaço parecem nascer de uma mesma ideia. E é também por isso que um ingrediente até então inédito na perfumaria, como a monstera, encontra seu lugar com tanta naturalidade ao lado do agave, do copal e do tabaco.
A Xinú não tenta fazer o México cheirar a cartão-postal. Faz o país exalar o aroma das próprias plantas, com uma segurança de design que permite ao objeto permanecer muito depois de a última gota da fragrância acabar.
Saiba mais em xinu.mx, e no Instagram: @xinuperfumes.
Foto de abertura: Xinú